Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

o povo não é estúpido!

As eleições autárquicas e legislativas devem realizar-se no mesmo dia. Aliás, não sei mesmo se em Portugal não se deveria votar para tudo de uma só vez.

E não é pelo pouco que se poupa – dava para as iluminações de Natal na Avenida da Liberdade, ironiza Francisco Louçã –, nem pela conveniência de limitar as idas às assembleias de voto, nem tão-pouco porque começa a faltar a paciência para a demagogia e o populismo das inenarráveis campanhas eleitorais. É, isso sim, pela defesa da democracia e pelo respeito devido pelos políticos aos eleitores.

Quem votar em Lisboa não irá seguramente confundir José Sócrates com António Costa e muito menos Manuela Ferreira Leite com Pedro Santana Lopes. Como quem votar no Porto não irá encher os boletins de voto com cruzes no mesmo partido, só porque isso é mais fácil ou cómodo. Isso seria o mesmo que dizer que quem gosta de Manuela Ferreira Leite gosta de Pedro Santana Lopes – um exemplo absurdo para contrariar os que defendem que o povo é estúpido, preguiçoso e se baralha com muita facilidade.

O mundo em Portugal não é unidimensional. Cada um vive a sua vida a várias dimensões e sabe perfeitamente distinguir os interesses da sua rua dos do país.

A simultaneidade das eleições até poderá contribuir para o reforço da visibilidade das eleições autárquicas. Não terão os candidatos a câmaras municipais e juntas de freguesia de falar mais alto para se fazerem ouvir num palco onde os protagonistas naturais serão, sem dúvida, Sócrates e Manuela? E passará pela cabeça de alguém que um candidato a uma qualquer câmara deste país, por mais pequena que seja, se prepare para pouco ou nada fazer e descansar convencido dos resultados nacionais dos seus partidos? Ainda mais uma dúvida. Será sensato pensar que a vantagem de um partido nas autárquicas ou nas legislativas embala o eleitor no momento do voto? Pobres dos que pensarem que é assim que se ganham eleições. Mas, mesmo que esses consigam com esta espécie de estratégia conquistar os votos de alguns, então é porque estão bem uns para os outros – simplesmente merecem-se.

A democracia tem muitas qualidades, mas, como é sabido, também tem os seus defeitos. Um deles é que dá trabalho. A todos. Aos que governam, aos que votam, porque têm de pensar para escolher, mas também aos que escolhem não pensar e se abstêm, deixando ao deus-dará o futuro – pesada palavra!

Os políticos deviam aprender com a filosofia do Twitter: dizer muito em pouco espaço, dizer muito em pouco tempo. Há 140 caracteres que dizem muito mais que discursos com muitas palavras e poucas ideias. Mas dá trabalho!

publicado por Sílvia de Oliveira às 20:52
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