Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

criança russa

 

De um dia para o outro, uma criança de seis anos, que não fala uma palavra de russo, foi obrigada a deixar a sua vida em Barcelos para ir viver com estranhos - um dos quais calha ser a mãe biológica que a abandonou há quatro anos -, numa cidade a 350 quilómetros de Moscovo. E agora, quando tanta coisa já foi dita sobre a brutalidade desta decisão, surge o habitual desfile de condolências. Hoje, de uma assentada, o juiz relator do acórdão que decidiu a entrega da menina russa à mãe biológica, disse que se sentiu "incomodado, como qualquer ser humano” com as imagens das palmadas e do empurrão à criança. E o ministro português da Justiça afirmou que “enquanto cidadão” ficou “incomodado com as imagens da menina”. Pois é, mas agora já é tarde, de nada servem os incómodos. E não vale encolher os ombros e dizer “agora já, está, já não há nada que a Justiça portuguesa possa fazer”.
Nisto da vida das pessoas, os afectos e as emoções também devem pesar nas decisões judiciais. A mãe biológica tem direito a querer mudar de vida, a esquecer os tempos difíceis que viveu em Portugal, tem o direito a voltar a tentar ser mãe. A Justiça portuguesa tem a obrigação de dar segundas hipóteses e de reabrir portas. Mas tudo perde sentido quando se coloca em risco a vida de uma criança. Quem é que vai fazer alguma coisa?
O Estado português, seja a que nível for, tem o dever de tentar acompanhar a vida desta criança, depois de ter decidido trocar-lhe as voltas e mudar-lhe o destino. E só descansar quando conseguir garantir que a criança está bem, que o que vimos nas imagens veiculadas pelo canal da televisão russa faz parte num período de adaptação entre pessoas que não se conhecem. Que a mãe biológica tem, de facto, condições para criar e dar amor à sua filha. O que o Estado português não pode esquecer é que só poderá arquivar este assunto depois de conseguir garantir que a decisão que tomou foi justa. Não é, afinal, isso mesmo que é a Justiça?
publicado por Sílvia de Oliveira às 20:44
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