Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

o i está certo!

E não é que hoje assistimos a mais um episódio da tragicomédia daquilo que é a vida dos jornalistas, dos bons jornalistas. O noticiou em manchete que o Governo deu ordens à Caixa para salvar outro banco, o Finantia.

Numa notícia irrepreensível, rigorosa e sustentada num documento oficial, mais concretamente no relatório do presidente do conselho fiscal da Caixa Geral de Depósitos - disponível para quem o quiser consultar no site do banco ou no da CMVM - ficamos a saber que, em Dezembro do ano passado, o banco do Estado (todos nós!) financiou o Finantia, mediante instruções do Banco de Portugal e um despacho do secretário de Estado do Tesouro e Finanças.

Está lá escrito para quem se desse ao trabalho de ler centenas de páginas. O documento refere que os financiamentos foram «objecto de recomendação de execução pelo Banco de Portugal e despacho do secretário de Estado do Tesouro e Finanças«. Mais. Ainda de acordo com o órgão presidido por Eduardo Paz Ferreira, estas operações «são de curto prazo e decorrem de um processo de reestruturação das fontes de financiamento do banco». Como?!

Pois, de manhã, foram os desmentidos, a meio da manhã já foi o reconhecimento do ministro das Finanças e à tarde, os comunicados e direitos de resposta bacocos e apostados em discutir semântica. Não, não foi salvar, foi ajudar. Não, não foi agora, foi há cinco meses. Não, não foi uma instrução do Banco de Portugal, foi uma recomendação do supervisor. Não, não foi o Governo a dar ordens, foi só um despacho de não oposição do Ministério das Finanças. A paciência é uma virtude, mesmo quando querem brincar ao jogo dos sinónimos e deixar para trás a substância.

A paciência é uma virtude. A paciência de quem, antes de fazer manchete com a história, tentou à exaustão obter explicações de todas as partes envolvidas. A paciência de quem se prepara para voltar a explicar a realidade. A paciência de quem compreende o incómodo, mas não entende os que encontram nos jornalistas a melhor desculpa para não assumirem erros. Em Portugal, ainda não se entendeu que o trabalho de atender o jornalista pode evitar chatices maiores.

Este é só o desabafo de uma jornalista, que faz parte da direcção do i, e que pode ter muitos defeitos, mas não padece do da falsa modéstia.

publicado por Sílvia de Oliveira às 20:10
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